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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo. A decisão ocorre em meio a uma crise no banco digital Ueno Bank. Os órgãos reguladores do país intervieram após concluírem que a instituição estava subcapitalizada, provocando a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e criando um problema político para o presidente.
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Na noite de terça-feira (3), vários paraguaios tomaram as ruas em protesto. Um processo de impeachment contra o chefe de Estado foi aberto. Segundo a imprensa paraguaia, o Congresso do país precisa aceitar a renúncia. Uma sessão sobre o assunto deve ser convocada.
Peña informou a decisão de deixar o poder numa publicação em vídeo em perfil nas redes sociais. “(…)Nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, disse num trecho inicial da gravação.
“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, diz Peña.
O banco Ueno Bank, que atende 40% da população do país, fechou as portas e bloqueou o acesso de clientes a contas e investimentos, após ser considerado insolvente. Uma instituição financeira é considerada insolvente quando não consegue honrar seus compromissos. Para evitar que a situação piorasse, o BC paraguaio interveio no Ueno.
O episódio levou à prisão preventiva de oito executivos ou ex-executivos do banco e à renúncia do presidente e mais dois diretores da autoridade monetária, além de desencadear uma crise política e levar centenas de paraguaios às ruas para exigir que recebam o dinheiro imediatamente.
Peña é um importante aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina, que tem apresentado seu país como um paraíso fiscal de baixa tributação para investidores estrangeiros. Ainda na terça-feira, no início da crise, Peña descartou repetidamente as preocupações sobre o balanço patrimonial do Ueno Bank, criticando a atenção da imprensa, que, segundo ele, tinha a intenção de provocar temor na população.
No vídeo publicado de seu pronunciamento nesta quinta, Santiago Peña diz “pedir desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai”.








