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O Profeta Gentileza foi uma das figuras urbanas mais marcantes do Rio de Janeiro no século XX uma espécie de “santo laico” das ruas, nascido da tragédia e transformado em mensagem.
Seu nome verdadeiro era José Datrino (1917–1996). Ele era um empresário do ramo de transporte de cargas até 1961, quando um incêndio no circo Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, matou mais de 500 pessoas. Segundo ele próprio, após o desastre teria recebido uma “revelação divina” e abandonado a vida comum para se dedicar a pregar a gentileza.
A partir daí, passou a viver nas ruas, especialmente no Rio de Janeiro, caminhando com sua túnica branca, barba longa e uma postura serena. Sua pregação não era agressiva nem doutrinária era quase poética. Frases como:
“Gentileza gera gentileza”
“Amor é a palavra que liberta”
“Não ao capital, sim ao amor”

foram pintadas por ele em pilastras do antigo viaduto da Avenida Brasil, criando um dos mais importantes murais urbanos da história do Brasil. Eram cerca de 56 colunas, hoje restauradas e preservadas como patrimônio cultural.
A imagem que você descreve o Profeta conversando com cadetes da Escola Naval em 1990 é simbólica justamente por isso: ele transitava entre mundos muito diferentes, do marginal ao institucional, sempre com a mesma mensagem simples e insistente de humanidade.
Nos anos 1990, já era uma figura conhecida no Rio, frequentemente registrada por fotógrafos e jornalistas. Apesar de muitos o verem como “excêntrico”, sua filosofia acabou sendo reconhecida como uma crítica poética à violência urbana e à frieza social da cidade grande.
Ele morreu em 1996, em Mirandópolis (SP), mas sua mensagem ficou. Hoje, o “Gentileza” não é apenas um personagem urbano é um conceito que virou quase um lema moral brasileiro.






