|
Getting your Trinity Audio player ready...
|

A Comissão da Pessoa com Deficiência, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), realizou audiência pública, nesta quinta-feira (09/04), para discutir a importância da ciência na qualidade de vida e inclusão das pessoas com deficiência. O debate aconteceu no plenário da Alerj e também homenageou com uma Moção de Aplauso a cientista Tatiana Sampaio, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da Polilaminina, substância que é destaque por potencial uso em tratamentos neurológicos.
Bióloga e também professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj), Tatiana recebeu a Moção de Aplauso por ser referência nacional na área de reabilitação neurológica e pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da Polilaminina. Seu trabalho tem contribuído para avanços importantes na recuperação funcional de pessoas com lesões neurológicas, ampliando perspectivas de autonomia, qualidade de vida e inclusão.
“A homenagem que recebi aqui é especial. É muito bom que eu possa usar a ciência para de alguma forma ajudar as pessoas e devolver para a sociedade o investimento que foi feito na minha formação. Fico feliz de ver que, neste momento, esse trabalho está chegando às pessoas em uma linguagem de conexão e cooperação. Esta comissão simboliza um momento de encontro da solidariedade, que é o que nos une. O que queremos é contribuir para um mundo melhor”, disse Tatiana.
Segundo Pacheco, o tema do debate foi para falar de ciência, mas também de esperança. “O trabalho da Dra. Tatiana, dentro do laboratório, acendeu a luz em muitos corações. A atividade da nossa cientista permite que famílias enxerguem possibilidades. Este é o real conceito da diversidade e inclusão. Recebemos na nossa comissão, muitos pais que dizem ter pedido a fé. O trabalho dela traz um aceno de vitória, através do estudo da Polilaminina. Ainda há um caminho a se percorrer, mas já nos mostra que com recursos bem determinados podemos devolver o protagonismo às pessoas com deficiência”, disse o deputado Fred Pacheco (PL), presidente da comissão.
Direitos, Diversidade e Inclusão
A atriz, escritora, pedagoga e mulher autista, Fátima Montenegro, ressaltou a importância das pesquisas na melhora da qualidade de vida das pessoas com deficiência e o papel da educação na inclusão. “A ciência tem feito um movimento especial para nós, pessoas com deficiência. Só a gente sabe a nossa dor e a importância de apoio, Quando descobri o meu diagnóstico, tive vergonha e medo, pela ausência de informações. Devemos acreditar nos nossos talentos. Não desistam dos seus filhos, pais, esposas e nem da sua carreira. O Brasil tem um potencial humano incrível, mas precisa ter uma educação que nos acolha”, afirmou.
Mestre em diversidade e inclusão pela Universidade Federal Fluminense, Michele Joia citou pontos relevantes para o desenvolvimento de crianças com deficiência. “O Decreto nº 12.686/2025 instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva, garantindo direitos e recursos para estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades. Pretendo realizar uma pesquisa para melhorar o entendimento sobre as famílias, para olhar com carinho aos que cuidam. Precisamos de uma educação inclusiva para abraçar de fato todos que precisam”, enfatizou.
A advogada com atuação em Direito Médico e mulher autista, Jéssica Mendonça, lembrou seu diagnóstico tardio e o verdadeiro significado de uma sociedade inclusiva. “Quando criança, nos anos 90, já tinha todos os estereótipos de uma pessoa autista, mas na época era taxada de “esquisita” e excluída pelos meus colegas. Descobri meu diagnóstico só aos 30 anos. A gente não precisa estar em um molde; precisamos ser nós mesmos e isso é a verdadeira inclusão. A esperança na ciência é tentar trazer uma maior qualidade de vida para todas as pessoas com deficiência. É avançar sem deixar ninguém para trás”, observou.
Estiveram presentes também na audiência a subsecretária de Políticas Inclusivas da Casa Civil, Bianca Pacheco, e o deputado Júlio Rocha (Agir), vice-presidente da Comissão da Alerj.







